O melhor do mau humor: quando o politicamente correto atrapalha a diversão

O Brasil é um país sui generis. Parece que não há nada igual mundo afora. Enquanto a corrupção e a crise política e econômica parecem não ter fim, há grupos que se mobilizam para protestar contra coisas que não têm a mesma relevância.

A coluna da Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, de hoje (13) é exemplo disso. O título da matéria é (acredite): “Propaganda com Ivete Sangalo será investigada por tirar sarro de homens”. Segundo a jornalista, o Conar, órgão que regula a propaganda no país, abriu processo contra a marca Bombril, após reclamações de consumidores que estariam  se sentindo ofendidos pelo “deboche da figura masculina”.

No sertanejo, muita coisa parecida já aconteceu. João Carreiro & Capataz, em 2012, por exemplo, foram acusados por uma ONG de homofobia na letra de um de seus maiores hits: “Bruto, Rústico e Sistemático”. João Carreiro teve que explicar (quase desenhar) que se tratava de uma personagem criada para a canção, um caboclo antiquado que achava errado homem com homem ou mulher com mulher. “Sistema que fui criado, ver dois homem abraçado, pra mim era confusão/Mulher com mulher beijando/Dois homens se acariciando, meu Deus que decepção/Mas nesse mundo moderno, não tem errado e nem certo, achar ruim é preconceito/Mas não fujo à minha essência, pra mim isso é indecência/Ninguém vai mudar meu jeito”, é parte da letra.

Um outro grupo não entendeu o propósito de uma música irreverente e protestou contra a cantora Elaine Cés (no destaque).  “Cambada de Bombado” (confira o clipe no final da matéria) traria uma mensagem pejorativa e preconceituosa. E a coisa foi mais longe. A sertaneja registrou um boletim de ocorrência em virtude de ameaças de morte recebidas pela internet.

Os três casos levam a crer que o mau humor tem superado o bom senso. O que seria uma brincadeira, vira caso de polícia. Será que o politicamente correto vai calar a irreverência presente na música, televisão, cinema, teatro ou propaganda?

O Politicamente incorreto, a título de diversão, não é novo no sertanejo. Uma letra muito antiga, de Lourival dos Santos e Sebastião Victor, gravada por Zico & Zeca, falava de um caboclo que não era correspondido no amor. Confira esse trecho: “Eu mato ela e me mato/Vai ser o jeito que tem/Se ela não pode ser minha/Não vai ser de mais ninguém/Mandei fazer na Europa/Não demora pra vir/Um revólver de platina/E o cabo é de marfim/E duas balas de ouro/Duas vidas vai ter fim/Uma bala é pra ela/E outra vai ser pra mim” .

Nos tempos atuais, algum grupo poderia entender como apologia ao crime, com certeza. E a dupla Zico & Zeca deixaria de ser destaque nos programas musicais e talvez virasse peça de debate no “Cidade Alerta” ou “Brasil Urgente”.

Carlos Guerra / Porteira Brasil

 

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