As novas lições de Medellín

medellin_chapeDifícil tirar de uma tragédia tão devastadora como a queda do avião que levava a Chapecoense algo de positivo. Principalmente sabendo que o acidente ceifou vidas preciosas, de jovens que lutaram por muitos anos para chegar no momento de brilho em que se encontravam. Atletas que, desde cedo, se dedicaram a esse duro meio que é o futebol, onde glamour e dinheiro são para poucos.

Que dizer também dos jornalistas que se foram, mais uma vez cumprindo a longa e cansativa rotina de quem cobre o esporte. Perdas irreparáveis, sem a menor dúvida.

A notícia que pegou o Brasil (e o mundo) de forma inesperada, deixou a todos nós um sentimento de fragilidade, de quanto é pequeno e passageiro qualquer momento da nossa tarefa nesta terra.

A surpresa positiva foi que o povo se uniu, as torcidas esqueceram as fúteis rivalidades que não deveriam extrapolar as quatro linhas, e o que se viu foram homenagens nos quatro cantos do mundo, gente que nunca tinha visto, ou ouvido sequer o nome Chape, usando o escudo do time.

Mesmo enquanto os lobos de Brasília, na calada da noite, aprovavam seu pacote de medidas para blindar seus interesses pessoais, o brasileiro comum (leia-se digno) orava, independente de credo ou religião, por essas vidas que alcançam um novo estágio na evolução.

Esqueceram-se as cores, grandes agremiações quebraram os protocolos e já há dezenas de clubes oferecendo jogadores para que o recomeço não demore.

De tantas homenagens belíssimas, a de Medellín tocou de maneira especial. Um lugar que pessoalmente não conheço, mas que é visto muitas vezes de forma preconceituosa por parte do mundo, deu uma lição inesquecível na noite de quarta (30). Que gente é essa, que lotou o estádio de futebol do Atlético Nacional e seu entorno, vestida de branco, chorando e agitando bandeiras da Chape, entoando cânticos como se fora a final do mundial de clubes?

A resposta talvez esteja na atitude de governantes e do próprio povo. O título deste texto faz referência ao livro “As Lições de Bogotá & Medellín: Do caos à referência mundial”, obra que relata como duas grandes cidades colombianas conseguiram, em apenas quinze anos, reescrever sua história de maneira brilhante. De cidade mais violenta do planeta, Medellín se transformou a ponto de receber o título de “Cidade Mais Inovadora do Planeta”, segundo o Wall Street Journal e o Urban Land Institute.

Na quarta, os filhos de Medellín mais uma vez nos deram uma lição de cidadania e de solidariedade. Que sirva de exemplo para todos nós.

Obrigado povo de Medellín.

2/12/2016

Carlos Guerra / Porteira Brasil

Foto: Reprodução/ Instagram Federico Gutiérrez  (Prefeito de Medellín)

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