As malogradas versões sertanejas para clássicos do rock’n’roll

jack_black

Hoje começa mais uma edição do Rock in Rio. A festa maior do rock’n’roll aqui no Brasil. E o sertanejo ficou de fora, nada mais justo, na minha humilde opinião. Sou das antigas (podem chamar de velho se preferirem). Pra mim carnaval tem que ter samba e festa do peão música sertaneja. E ponto. Cada um no seu quadrado, como diz a molecada.

Porém, num mundo globalizado e politicamente correto como o de hoje, muitos parecem ter mais direitos que pudores. Nessa conjuntura, aproveito a data para elencar algumas experiências que não foram tão bem sucedidas em canções que alguns sertanejos resolveram gravar por aqui, versões tupiniquins de grandes clássicos do rock. O ponto de partida foi uma conversa com o meu grande amigo Alexandre, apaixonado pelo rock porém eclético e que sabe reconhecer música de qualidade, inclusive a sertaneja.

Acredito que o sertanejo passa por uma fase de mudanças, desde o advento do universitário. E neste período surgiram coisas boas, outras nem tanto e algumas absolutamente descartáveis. Mesmo que tenhamos nos afastado tanto do sertanejo de raiz, o que eu acho uma infelicidade muito grande, buscar canções de outros gêneros consagrados é um risco alto a se correr.

Mas alguns preferiram arriscar. Henrique Costa, um jovem matogrossense com apenas 18 anos na época, lançou em 2013 a canção “Então se Joga”, uma versão de “Psycho Killer” (acreditem), hit da banda Talking Heads. Não é necessário dizer que a reação dos roqueiros foi a pior possível. Meu parceiro Alexandre deve ter ficado bastante chateado.

Nem só artistas mais jovens ou universitários tentaram algo parecido. Durval & Davi, dupla experiente que coleciona inúmeros sucessos, também se aventurou a gravar “É Assim”, releitura de “Let it be”, dos Beatles. Alexandre me confidenciou que preferia “Herói Sem Medalha” ou “Vida Pelo Avesso”, sucessos dos irmãos.

Cleiton & Camargo escolheram um sucesso do Scorpions, “Still Loving You”, que virou “Meu Anjo Azul”. Mais um monte de reclamações e xingamentos da parte ofendida, claro. Meu brother Alexandre perdeu a paciência e também xingou.

A belíssima “Hotel California” (Eagles) foi a aposta de Richard Brazil & Rafael Braga. O título virou “Nossa História”. Muito roqueiro se revirou no túmulo, inclusive. Meu parceiro Alexandre aumentou a dose de seu remédio pra pressão.

E por aí vai. Pesquisando você facilmente encontra outras versões, nas vozes de Dalvan e Zezé di Camargo & Luciano, entre tantos outros.

Ousadia ou loucura? Você decide. Cada um tem a sua opinião.

Constatação unânime é que alguns vão fundo na coragem de escolher as versões e acabam alterando (em muito) o sentido da obra original. É o caso da jovem dupla Max & Luan, conhecida por ter uma produção bacana e efeitos muito elogiados em seus shows. Em 2013, mesmo ano em que Henrique Costa lançava “Então se Joga”, eles gravaram um DVD com a faixa “Até o Céu”. Pasmem, trata-se de uma versão de um dos maiores clássicos do Pink Floyd, “”Another Brick in The Wall”. Claro que o sarcasmo em forma de crítica se perdeu totalmente em versos melosos.

Meu amigo Alexandre tentou o suicídio.

Carlos Guerra / Porteira Brasil

 

Tagged with:     , ,

Sobre o autor /


Veja também

2 Comentários

  1. Carlos Oliveira

    Muito boa a matéria sobre as versões do rock para o sertanejo. Concordo em gênero, número e grau, acho que cada um tem que ficar no seu quadrado há espaço para todos. Todavia, existem algumas versões que simplesmente assassinam a música original fazendo com quem curte o velho e bom rock alcance o ápice da indignação. Espero sinceramente que nosso amigo Alexandre tenha sobrevivido!!

  2. alexandre pimentel

    Guerra, meu velho, que texto, que matéria, digna de um cara que entende de música, seja o gênero que for. Agradeço por mencionar o meu nome representando a tribo do Rock, muito legal e, claro com uma boa dose de humor. De fato, as versões ficaram pífias, as canções originais foram estragadas, uma heresia total. Eles poderiam cantar as músicas como elas são, sem mudar a letra, até podiam fazer um arranjo nos instrumentos, mas jamais fazer essas obras horríveis. É isso amigo.

Post your comments

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Porteira Brasil Comunicação

Assessoria de comunicação especializada no meio artístico, a Porteira Brasil Comunicação também é responsável por um dos sites de notícias e matérias diárias sobre o mundo sertanejo mais conhecidos do mercado.

CONTATO:

carlos.guerra@porteirabrasil.com.br

SUGESTÂO DE PAUTA:

pauta2@porteirabrasil.com.br