2015: um ano para esquecer, até no sertanejo

José Rico: perda irreparável para a música brasileira

José Rico: perda irreparável para a música brasileira

Aqui vale o velho chavão: 2015 é um ano que deve ser esquecido. Mergulhado numa crise financeira e política, o país descambou para a recessão e os negócios praticamente pararam em vários setores da nossa (fraca) economia. A corrupção tomou conta de boa parte das manchetes, alguns poucos foram presos, porém tem muita gente que faz hora extra nos cargos e também nas ruas.

Não há quase nada a se comemorar. Basta passear pelas ruas de cidades grandes ou pequenas, chama a atenção o número de estabelecimentos vazios, com placas de “aluga-se”. A “marola” virou tsunami e atingiu a todos, inclusive a classe menos favorecida, que outrora idolatrou quem está no poder.

Neste cenário caótico e de pouca esperança, a música sertaneja também padeceu. Quem acompanha de perto sabe que as prefeituras estão “quebradas” e o número de shows caiu para boa parte dos artistas. Contratantes também enfrentaram dificuldades e shows foram cancelados. Claro que há exceções, artistas e duplas que mostraram força, principalmente os mais jovens, com bom poder de fogo. Estes não sentiram tanto, mesmo tendo que diminuir seus cachês.

Foi um ano triste também em termos de perdas, como todos sabem. Cristiano Araújo teve uma morte prematura, quando ainda não tinha atingido o ápice da carreira. O trágico acidente comoveu o país. Além da morte inesperada, a família teve ainda que conviver com atos criminosos de funcionários do IML que expuseram a imagem do cadáver em redes sociais. Na cobertura da mídia, em diversos casos, houve exagero, um sensacionalismo desnecessário.

Inezita também se foi, uma morte que, apesar de dolorida, não causou tanto espanto, pois ela já vinha debilitada há algum tempo. Ele se foi e levou o “Viola, Minha Viola”, um importante espaço dedicado à música de raiz.

Outro ícone que nos deixou foi Zé Rico, perda irreparável no cenário da música sertaneja e brasileira. Figura ímpar, intérprete inigualável, grande compositor. Um artista completo, enfim. Acompanhei poucas homenagens, na mídia. Faltou reconhecimento do que representava o Zé. Ele merecia um livro, um filme. Quem sabe aconteça nos próximos anos.

No cenário dos mais jovens, surgiram bons nomes, coisas de qualidade, sem dúvida. E outros com pouca chance de vingar. Não vou citar nomes, para não cometer injustiças. Ainda acho que há muita coisa parecida, não é fácil distinguir algumas duplas das outras, porque o que dá certo uma vez é copiado e os estilos e vozes se confundem. Falta criatividade em muitos casos. Ou alguém ainda aguenta modinhas com os temas que viram virais no whatsapp como no caso do marido traído?

Vários nomes tomaram conta dos sites de fofocas, como sempre. Embriaguez no palco, fora dele, traição, orgia, separação, reconciliação, casamento… Enfim, tudo o que não acrescenta nada (ou não interessa a ninguém na maioria dos casos) virou manchete. Mas se existem tais veículos é porque alguém os lê.

Com todo este panorama, o saldo é negativo, uma espécie de recessão musical neste ano. As esperanças estão num 2016 melhor, com mais música de qualidade e menos perdas, de preferência.

31/12/2015

Carlos Guerra / Porteira Brasil 

Foto: Reprodução / TV Globo

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